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Rádio Frutuoso Online
EU ADORO O MEU SERTÃO!!!
Eu sou um matuto de um lugar sofrido
Do chão ressequido da terra rachada
Do chapéu de couro da pele trigueira
Da vida roceira da mão calejada
Da caatinga seca do campo cinzento
E o velho jumento ainda é condução
Da água de pote vinda do barreiro
De onde candeeiro é a iluminação
Da casa de taipa do piso de barro
Enrolo o cigarro de fumo na palha
Lá do meu roçado tiro meu sustento
Com pouco alimento vivo de migalha
De onde à tardinha sento no batente
Olho pro nascente e lá por traz da mata
Vejo a lua cheia na linda paisagem
Cobrindo a pastagem com um manto de prata
Onde o camponês só vive isolado
Trabalha pesado e nunca ver fartura
Vive sem emprego, sem nada, sem nome
Enganando a fome com água e rapadura
Se não sabe ainda onde é meu lugar
Quero lhe explicar preste-me atenção
Tenho muito orgulho do meu lugarejo
Eu sou sertanejo e adoro o sertão!!!
Carlos Aires 27/02/2011
A NATUREZA ME DEU
ARREPENDEU-SE E TOMOU!!!
(autor desconhecido)
(Glosas Carlos Aires)
Na infância e juventude
Eu tinha muita beleza
Tudo foi à natureza
Que concedeu a virtude
Dinheiro e muita saúde
Mas tudo isso passou
O tempo ingrato levou
E nunca mais devolveu
A natureza me deu
Arrependeu-se e tomou
Ao olhar-me no espelho
Noto a terrível sequela
Lembro a minha face bela
De emoções fico vermelho
Sinto uma dor no joelho
A vista já encurtou
Meu barco já ancorou
O vigor se escafedeu
A natureza me deu
Arrependeu-se e tomou
Lá se foi o meu outrora
Essa é a realidade
No cavalo da saudade
Estou cavalgando agora
Quando a gente rememora
Vê que o tempo nos forjou
A juventude murchou
A velhice floresceu
A natureza me deu
Arrependeu-se e tomou
Quem esbanjava energia
Igual uma tempestade
É um mar de tranquilidade
Que só vive em calmaria
A procela de euforia
Veio a bruma e abrandou
O mastro já se quebrou
Sem leme a vela desceu
A natureza me deu
Arrependeu-se e tomou
No lume das aventuras
Vivi minha mocidade
As luzes da vaidade
Estão opacas e escuras
Se já amargo as torturas
De está assim como estou
Minha estrela se apagou
O meu céu escureceu
A natureza me deu
Arrependeu-se e tomou
Da infância pra velhice
As diferenças totais
Mas num ponto são iguais
Ambos só pensam tolice
Conheço um velho que disse
Meu facho não se apagou
Mais na hora “H” brochou
Foi quando reconheceu
A natureza me deu
Arrependeu-se e tomou
Pro velho resta o consolo
Lembrar no seu dia a dia
Que já comeu a fatia
Melhor que tinha no bolo
Até de “gagá” e tolo
Alguém o denominou
Ele tristonho pensou
Não sei o que aconteceu
A natureza me deu
Arrependeu-se e tomou
Velho que conta vantagem
Dizendo sou muito macho
De fanfarrão eu lhe tacho
Pois vende uma falsa imagem
Sem ter nada na bagagem
Que o trem do tempo levou
Desse sonho despertou
E logo reconheceu
A natureza me deu
Arrependeu-se e tomou
Carlos Aires 18/02/2011
SE HOJE VIVO MORANDO NA CIDADE
NÃO ME ESQUEÇO DA VIDA NO SERTÃO!!!
As cidades são belas, e eu não nego
Lindas praças com ruas e avenidas
Clubes festas e coisas divertidas
Mas, aqui vivo triste e não sossego
Essa dor que no peito hoje carrego
Bate forte e machuca o coração
Traficante, bandido e ladrão
Vive solto e eu preso eu atrás da grade
Se hoje vivo morando na cidade
Não me esqueço da vida no sertão
Sempre lembro das coisas lá da roça
A casinha singela que eu morava
Tinha portas, porém não precisava
De fechá-las porque a gente nossa
Mesmo pobre abrigado numa choça
Enfrentando a pobreza e a sequidão
É incapaz de fazer uma invasão
Pois respeitam nossa privacidade
Se hoje vivo morando na cidade
Não me esqueço da vida no sertão
Eu aqui tenho a casa mobilhada
Com estante, sofá, televisor
Quando escrevo é num computador
Confortável é a cama arrumada
Não me esqueço do cabo da enxada
Do machado, da foice, do facão
Nem da vida na minha região
Que eu vivia em plena liberdade
Se hoje vivo morando na cidade
Não me esqueço da vida no sertão
O conforto é bom e necessário
E a cidade isso tudo oferece
Quem viveu lá na roça não esquece
O lugar que nasceu mesmo precário
Empregado eu virei um operário
Vivo sempre as ordens do patrão
Recordando do gado e do alazão
E assim vou vivendo de saudade
Se hoje vivo morando na cidade
Não me esqueço da vida no sertão
Carlos Aires, 11/10/2008




