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Rádio Frutuoso Online
SÓ PRA FALAR DE SAUDADE!!!
Os tempos passam a gente vai envelhecendo, mas as lembranças da infância e juventude nunca se apagam em nossas memórias.
Às vezes pequenos detalhes que vivemos quando em criança permanecem impregnados em nossas mentes e a borracha do tempo não consegue apagar.
Coisas insignificantes um pequeno detalhe da casa em que foi nascido, uma árvore, um passarinho, um feliz ou triste momento marcam pra sempre a vida de um ser humano.
Quem não guarda com sigo essas imagens de um passado longínquo de um outrora que se foi e jamais retornará a não ser nessas imagens que armazenamos consciente ou inconscientemente no baú do passado e vez por outra vem à tona transportando-nos no bonde dos sonhos para desembarcarmos na estação da saudade.
Saudade essa que às vezes nos levam aos risos ou as lágrimas, às vezes doem que nem espinho e às vezes são doces e saborosas como se fosse um favo de mel.
Convido o leitor/ouvinte amigo a ler e escutar o poema abaixo e embarcar nessa viagem no tempo, vem comigo!!!
SAUDADE... MUITA SAUDADE!!!
Saudade... Muita saudade
Do alvorecer da vida
Aonde a felicidade
Foi amplamente vivida
Entre pássaros e animais
Em meio aos matagais
Com suas copas frondosas
Num clima ameno e propicio
Assim foi o meu inicio!!!
Um perfeito mar de rosas
Ouvindo o som das cascatas
Nos vales das serranias
Os ventos vindos das matas
Com as brisas gostosas, frias
Acariciando o rosto
Quando o sol já indisposto
Dava seu ultimo lampejo
De luz, lá por traz do monte
Embelezando o horizonte
Com o crepúsculo sertanejo
Aprendi a fazer versos
Com sabiás e campinas
Nesse pequeno universo
Entre morros e colinas
Foi ali o meu reduto
E assim fiz usufruto
Dessas nobres regalias
Envolvido nesses climas
Entre estrofes e rimas
Num mundo de poesias
Nas românticas madrugadas
Ouvia os cânticos suaves
Das orquestras afinadas
Vinda de um coral de aves
Que nessa hora silente
Cantavam suavemente
Na mais perfeita harmonia
Trazendo paz e alento
No mais sublime momento
Em que nasce um novo dia
O sol quente e radiante
Da terra beijando a face
Que momento hilariante!!
Quando se dá esse enlace
A noite já foi embora
E dela só resta agora
Cobrindo o pasto e o cascalho
O seu pranto reluzente
Disfarçado simplesmente
Em lindas gotas de orvalho
O dia ganha coragem
Enquanto o sol se levanta
Dando brilho a paisagem
Que cada vez mais encanta
E demonstra sua beleza
Como é bela a natureza
Em todo seu esplendor
Na singeleza do campo
No lume do pirilampo
No perfume de uma flor
Da minha infância dileta
Guardo as lembranças sem fim
A vida desse poeta
No outrora foi assim
Hoje já vivo distante
Amargando a torturante
E insistente saudade
Entre agruras e lamentos
Recordando esses momentos
De total felicidade!!!
Carlos Aires 07/04/2011
UM PASSADO INESQUECÍVEL!!!
O tempo passa, a gente envelhece, porém jamais alguém se esquece dos bons momentos vividos no outrora.
Eu por exemplo, guardo felizes recordações do meu tempo de infância e adolescência e acho que todo mundo é assim também.
Às vezes os mínimos detalhes ficam armazenados no disquete da memória e num momento oportuno nos aparecem trazendo a tona todas aquelas lembranças de um passado inesquecível que o tempo levou e não devolverá jamais.
Nas estrofes abaixo tentei relatar um pouco dessas lembranças de um outrora distante que permanece vivo em nossa memória, mas que os anos impiedosos levaram embora, e junto com eles se foram infância, adolescência, juventude, saúde e vigor.
Hoje vivendo a terceira idade a saúde abalada, o cansaço por carregar nos ombros o peso dos anos, mas feliz por ter vivido todas essas fases e está vivo fazendo essa pequena síntese
Desse passado de quem só guardo as saudades boas recordações.
Confira nas sextilhas abaixo!!!
NÃO POSSO ME ESQUECER!!!
Não posso me esquecer
Do meu tempo de criança
Onde eu voava suave
Nas asas da esperança
Com destino ao futuro
Hoje só resta a lembrança
Não posso me esquecer
Da minha infância querida
Onde eu vivi os melhores
Momentos da minha vida
Na mente ficou guardada
E jamais será esquecida
Não posso me esquecer
Do tempo de adolescente
Quando vi todo meu corpo
Mudar repentinamente
As lembranças permanecem
Tão vivas na minha mente
Não posso me esquecer
O tempo da juventude
Que trabalhava no campo
Tomava banho de açude
Hoje vivo na cidade
Com saudade s sem saúde
Não posso me esquecer
Aquela época passada
Que eu ia feliz da vida
Pra casa da namorada
Que ficava na janela
Pra ver a minha chegada
Não posso me esquecer
Da minha casa amarela
Que construí com carinho
Casei e fui morar nela
Ao lado da minha amada
Jamais me esquecerei dela
Não posso me esquecer
Desse passado feliz
Que o tempo tão malvado
Cortou-me pela raiz
Deixando marca profunda
Com enorme cicatriz.
Carlos Aires
RELEMBRANDO FRUTUOSO!!!
Quando adolescente sem me dá conta que ali na minha terra eu era feliz, como todos nessa fase pensam que lá fora é muito melhor, eu saí mundo afora em busca da felicidade sonhada, que decepção!! Poucos meses longe do meu Pé-de-Serra foram o suficiente para compreender que meu lugar era ali, e voltei tal qual filho pródigo que retorna para o aconchego da casa paterna.
Anos depois tive que deixar minha terra, pois já carregava nos ombros o peso da responsabilidade de sustentar uma família, e a seca malvada e desoladora obrigou-me a deixar pra traz aquele pedaço de chão onde realmente fui feliz.
Porém jamais esquecerei a terra em que nasci, e hoje à distância e a saudade fazem com que sempre que posso exalto a minha terra com um poeminha relatando um pouco do que vivi naquela vida campestre.
Confira nas estrofes abaixo!!!
RECORDAÇÕES DA INFÂNCIA!!!
Eu guardo recordações
Da infância na terrinha
De quando o porco chiava
Lá na porta da cozinha
Sempre pedindo comida
Logo pela manhãzinha
Também lembro a galinha,
De pintos acocorada
Debaixo da quixabeira
Numa manhã orvalhada
Mesmo que ela se molhasse
Deixava enxuta a ninhada
E aquela vaca malhada
Que se chamava princesa
Com seu leite saboroso
Mãe fazia com certeza
Nossa coalhada gostosa
Que colocava na mesa
Era mesmo uma beleza
Ainda lembro direitinho
Quando fazia a mistura
Com um bom cuscuz de moinho
Com isso é que eu fui criado
Forte nutrido e gordinho
Jamais esqueço o carinho
Com que papai me tratava
E minha mamãe querida
Tanto que ela me zelava
Se houvesse volta ao passado
Praquele tempo eu voltava
E outra vez me instalava
No lugar maravilhoso
No Pé-de-Serra imponente
Que hoje me sinto orgulhoso
E feliz por ter nascido
Lá no Sitio “Frutuoso”
Carlos Aires
04/01/2010
Eu sai daqui da minha cidade
Fui olhar o meu velho Pé-De-Serra
O meu lar, o meu berço, a minha terra
Por quem guardo carinho e amizade
Hoje moro em outra localidade
Bem distante de onde eu me criei
Mas depois de algum tempo lá voltei
Só pra ver o que tinha acontecido
Fui rever o lugar que fui nascido
Senti tanta saudade que chorei
Não existe mais o curral do gado
Com o tempo foi tudo destruído
Só existe um cocho envelhecido
Demonstrando o que era no passado
Eu fiquei demais emocionado
Ao lembrar-me do leite que tirei
Dos momentos felizes que passei
Eu lembrei e fiquei tão deprimido
Fui rever o lugar que fui nascido
Senti tanta saudade que chorei
Ainda existe o velho umbuzeiro
O da horta, assim era chamado
A umburana ficava do seu lado
Bem pertinho entre ele e o barreiro
Mas ali também tinha um juazeiro
Eu me lembro a muito eu derrubei
E a sua madeira aproveitei
Fiz carvão, e devo ter vendido
Fui rever o lugar que fui nascido
Senti tanta saudade que chorei
Não tem mais o poleiro das galinhas
O chiqueiro dos porcos destruído
O banheiro se encontra demolido
Não tem mais a porteira da cozinha
Não consigo lembrar tudo que tinha
Só um pouco de tudo eu narrei
Só Deus sabe o desgosto que passei
Se eu soubesse por lá não tinha ido
Fui rever o lugar que fui nascido
Senti tanta saudade que chorei
E a carga de palma que eu cortava
E as tiradas de espinhos de cardeiro
Derrubadas de galhos de facheiro
E as coivaras com que eu os assava
E depois para o gado espalhava
De tão quente eu quase me queimei
E o capim que na várzea eu tirei
Para o gado faminto e emagrecido
Fui rever o lugar que fui nascido
Senti tanta saudade que chorei
Não tem mais a casa que morava
O terreiro nem sei mais onde era
No lugar só existe hoje a tapera
Só um monte de terra lá restava
A velha quixabeira em que brincava
Derrubaram não mais a encontrei
O barreiro com zelo eu limpei
Hoje está desprezado e entupido
Fui rever o lugar que fui nascido
Senti tanta saudade que chorei
Não ouvi mais o canto da cigarra
Nem o grito feliz da seriema
Não tem ninhos nos galhos de jurema
Que os ferreiros faziam sua farra
Aninhavam-se com tanta algazarra
Muitas vezes com eles me irritei
Até pedras em seus ninhos eu joguei
Hoje em dia estou arrependido
Fui rever o lugar que fui nascido
Senti tanta saudade que chorei
Não tem mais a porteira da estrada
Nem o caminho que ia pra Riacho
Nem o outro que ia lá pra Baixo
Acabou não sei onde era nada
E a casa que eu fiz ta desprezada
Nem parece que um dia eu morei
E com tanto cuidado eu zelei
E agora está tudo destruído
Fui rever o lugar que fui nascido
Senti tanta saudade que chorei
Não tem mais a pedra de amolar
Nem o trilho de se bater enxada
A braúna também foi derrubada
O angico não está mais no lugar
Até mesmo um pé de gravatá
Que existia também não encontrei
E o roçado em que tanto eu plantei
Não vi mais, está desaparecido
Fui rever o lugar que fui nascido
Senti tanta saudade que chorei
E assim terminei minha viagem
Dessa volta que dei ao passado.
No papel deixei tudo registrado
A história em forma de mensagem
Só me resta lembrar a paisagem
Disso tudo que lá não encontrei
Até mesmo meus pais que eu tanto amei
Já repousam no túmulo, falecidos
Fui rever o lugar que fui nascido
Senti tanta saudade que chorei
11/05/1998
Carlos Aires







